O
problema - e motivo de revolta da grande maioria - não é exatamente a
existência ou não de cotas, mas sim seu direcionamento.
Enquanto
que poderiam, tais cotas, ser destinadas aos mais carentes, para assim termos
cumprido um dos preceitos de Constituição - igualdade - vemos que o que tem-se
feito é simplesmente dizer que todo negro deve ter especial vantagem quando se
fala em educação, ora, a conotação histórica ninguém nega, não se trata de
tapar o sol com a peneira, o problema é quando deixamos a vantagem nas mãos de
um indivíduo em detrimento de outro simplesmente pela cor de sua pele e não
pelo motivo sócio-econômico - que deveria ser a motivação real de destinação de
cotas - pois não são somente negros que tem "origem humilde" neste
país, brancos - e muitos, a maioria "revoltada" - são indivíduos
brancos e que estudaram em escolas da rede pública, são pessoas que vivem com
um ou dois salários, são cidadãos que também tem de pegar o ônibus pra ir para
o trabalho e sentar-se do lado de negros, bem, por que escolher uns por sua
pele se outros de pele diversa vivem na mesma situação?
Acredito
que a melhor opção seria destinar cotas a pessoas de baixa renda, pois quando
se diz tratar os iguais igualmente e os desiguais desigualmente na medida de
sua desigualdade quer-se dizer, aplicando-se o preceito ao caso, que quem não
tem condição de pagar por um ensino de qualidade - sendo desigual - deve ser
tratado de forma especial - na medida de sua desigualdade.
Com os
silvícolas a ótica muda, pois desde seu nascimento estão inseridos em um
contexto mais significativamente diferente do que o econômico, mas sim o
contexto social que destoa do nosso em todos os aspectos, estes sim tem razão
de serem beneficiados com cotas, sua forma de ver o mundo - repito, desde o nascimento
-, bem como sua forma de interagir socialmente já começa diferenciada quando
vem a este mundo.
Não se
trata, quero deixar claro, de negar a carga histórica de nossa sociedade, pois
desde cedo aprendemos na escola - pública ou particular - que os negros foram
feitos reféns e obrigados a dar sua força de trabalho sem nada receber em troca
por uma comunidade branca que imaginava-se superior, sobre isso ninguém discute
ou nega o violento atentado a dignidade humana, porém, dizer que o negro merece
especial atenção em detrimento do branco só pela cor de sua pele é igualmente
deixar de lado o tratamento "desigual aos desiguais na medida de sua
desigualdade", pois estes dois indivíduos podem ter estudado na mesmo
escola pública, ter morado no mesmo bairro violento, ter o mesmo vinculo
empregatício. Não que se negar que a grande maioria de negros em nosso país é
de baixa renda, porém temos brancos que moram ao lado.