sexta-feira, 30 de maio de 2014

Cotas de Ensino no Brasil

O problema - e motivo de revolta da grande maioria - não é exatamente a existência ou não de cotas, mas sim seu direcionamento.

Enquanto que poderiam, tais cotas, ser destinadas aos mais carentes, para assim termos cumprido um dos preceitos de Constituição - igualdade - vemos que o que tem-se feito é simplesmente dizer que todo negro deve ter especial vantagem quando se fala em educação, ora, a conotação histórica ninguém nega, não se trata de tapar o sol com a peneira, o problema é quando deixamos a vantagem nas mãos de um indivíduo em detrimento de outro simplesmente pela cor de sua pele e não pelo motivo sócio-econômico - que deveria ser a motivação real de destinação de cotas - pois não são somente negros que tem "origem humilde" neste país, brancos - e muitos, a maioria "revoltada" - são indivíduos brancos e que estudaram em escolas da rede pública, são pessoas que vivem com um ou dois salários, são cidadãos que também tem de pegar o ônibus pra ir para o trabalho e sentar-se do lado de negros, bem, por que escolher uns por sua pele se outros de pele diversa vivem na mesma situação?

Acredito que a melhor opção seria destinar cotas a pessoas de baixa renda, pois quando se diz tratar os iguais igualmente e os desiguais desigualmente na medida de sua desigualdade quer-se dizer, aplicando-se o preceito ao caso, que quem não tem condição de pagar por um ensino de qualidade - sendo desigual - deve ser tratado de forma especial - na medida de sua desigualdade.

Com os silvícolas a ótica muda, pois desde seu nascimento estão inseridos em um contexto mais significativamente diferente do que o econômico, mas sim o contexto social que destoa do nosso em todos os aspectos, estes sim tem razão de serem beneficiados com cotas, sua forma de ver o mundo - repito, desde o nascimento -, bem como sua forma de interagir socialmente já começa diferenciada quando vem a este mundo.

Não se trata, quero deixar claro, de negar a carga histórica de nossa sociedade, pois desde cedo aprendemos na escola - pública ou particular - que os negros foram feitos reféns e obrigados a dar sua força de trabalho sem nada receber em troca por uma comunidade branca que imaginava-se superior, sobre isso ninguém discute ou nega o violento atentado a dignidade humana, porém, dizer que o negro merece especial atenção em detrimento do branco só pela cor de sua pele é igualmente deixar de lado o tratamento "desigual aos desiguais na medida de sua desigualdade", pois estes dois indivíduos podem ter estudado na mesmo escola pública, ter morado no mesmo bairro violento, ter o mesmo vinculo empregatício. Não que se negar que a grande maioria de negros em nosso país é de baixa renda, porém temos brancos que moram ao lado.

                Portanto, a questão não é ter ou não a cota, a questão é destinar a cota ao indivíduo de baixa renda sem olhar a cor de sua pele, acredito que soe um pouco mais compassado com o princípio da igualdade que tanto se defende por ai.